{"id":5296,"date":"2025-10-03T15:35:48","date_gmt":"2025-10-03T13:35:48","guid":{"rendered":"https:\/\/www.somicmf.org\/a-comunidade-de-via-gaggio-faz-cinquenta-anos\/"},"modified":"2025-10-03T16:13:58","modified_gmt":"2025-10-03T14:13:58","slug":"a-comunidade-de-via-gaggio-faz-cinquenta-anos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.somicmf.org\/pt-pt\/a-comunidade-de-via-gaggio-faz-cinquenta-anos\/","title":{"rendered":"A comunidade de Via Gaggio faz cinquenta anos"},"content":{"rendered":"\n<p>Passaram cinquenta anos desde que dois mission\u00e1rios claretianos, Roberto Rocchi e Angelo Cupini, se mudaram do semin\u00e1rio claretiano de Lierna para Malgrate, na prov\u00edncia de Lecco, em outubro de 1975, para viver num edif\u00edcio de apartamentos na Via Gaggio 52, para acompanhar e partilhar a vida dos jovens marginalizados.<\/p>\n\n<p>A nossa escolha, aprovada pelos superiores religiosos, transformou-se ao longo do tempo: da aten\u00e7\u00e3o aos toxicodependentes, aos imigrantes, ao di\u00e1logo entre experi\u00eancias civis e religiosas. <\/p>\n\n<p>Ao fim de cinquenta anos, perguntamo-nos como foi poss\u00edvel viver tanto tempo?<br\/>Deus acompanhou-nos na confian\u00e7a que os nossos superiores religiosos tiveram; houve fam\u00edlias \"normais\" que nos acolheram e abriram as suas casas \u00e0 hospitalidade; a ades\u00e3o de leigos, mulheres e homens, a este projecto de vida. <\/p>\n\n<p>As pessoas envolveram-nos com a sua bondade e levaram-nos a fazer coisas que nunca ter\u00edamos imaginado. <\/p>\n\n<p>Parece que estamos a reler algumas p\u00e1ginas dos primeiros tempos da Igreja.<\/p>\n\n<p>O nome que escolhemos como indicativo era o de uma refer\u00eancia de endere\u00e7o postal, mas na antiga l\u00edngua Longobarda gaggio significava o \"bosque comum\" onde as pessoas iam buscar lenha para a vida da casa. \u00c9 um nome que nos tem servido bem.  <\/p>\n\n<p>Foi assim que tent\u00e1mos fazer a nossa vida: acolhedores, economicamente sustentados pelo trabalho profissional que faz\u00edamos, atentos \u00e0s transforma\u00e7\u00f5es da terra. And\u00e1mos muito, movendo-nos a cada sinal que nos chegava.<\/p>\n\n<p>Escut\u00e1mos o que as pessoas nos diziam como indicativo, apost\u00e1mos juntos nas vidas a ressuscitar; confi\u00e1mos na Palavra.<\/p>\n\n<p>A pequena presen\u00e7a claretiana caminhou apoiando a vida de todos (isto \u00e9, torn\u00e1mos poss\u00edvel a cada um realizar o seu projecto de vida). A associa\u00e7\u00e3o \"Comunidade de Via Gaggio\" favoreceu a realiza\u00e7\u00e3o de actividades de trabalho, mas n\u00e3o nos torn\u00e1mos donos delas.  <\/p>\n\n<p>Experiment\u00e1mos assim o desenvolvimento de um carisma ao servi\u00e7o de um territ\u00f3rio. <br\/>Na colheita destes cinquenta anos n\u00e3o adquirimos bens, pensamos ter dilu\u00eddo a semente do carisma, de um modelo de vida que \u00e9 o de cuidar dos outros, de escutar a Palavra, de amar a Justi\u00e7a, como escrevemos na parede da casa h\u00e1 alguns anos, de uma partilha normal entre leigos e religiosos. <br\/><\/p>\n\n<p>Estar ao servi\u00e7o da vida em todas as coisas e n\u00e3o se servir de si mesmo para alargar a sua pr\u00f3pria \u00e1rea de influ\u00eancia, mesmo religiosa. <\/p>\n\n<p>Desde h\u00e1 tr\u00eas anos, a presid\u00eancia e o conselho de administra\u00e7\u00e3o da associa\u00e7\u00e3o est\u00e3o nas m\u00e3os de leigos, fi\u00e9is \u00e0 sua op\u00e7\u00e3o de vida.<\/p>\n\n<p>N\u00e3o quisemos acrescentar o adjetivo claretiano \u00e0 sua op\u00e7\u00e3o de vida para que as suas ra\u00edzes laicais fossem declaradas. <\/p>\n\n<p>Ao continuar (ou ao despedirmo-nos) desta experi\u00eancia, o Roberto e eu pensamos ter sido fi\u00e9is \u00e0 miseric\u00f3rdia; pensamos ter posto em circula\u00e7\u00e3o palavras, gestos e caminhos de paz.<\/p>\n\n<p>O que \u00e9 que o Instituto ganhou com a nossa presen\u00e7a? <\/p>\n\n<p>Certamente n\u00e3o nos enriquecemos com bens materiais; dedic\u00e1mos a nossa vida a ser \u00fateis; dialog\u00e1mos com as igrejas e com a humanidade, partindo sempre do ponto mais marginal. <br\/>Vivemos como toda a gente, trabalhando e colaborando. <br\/><\/p>\n\n<p>Reduzimos a viol\u00eancia do homem sobre o homem. Acompanh\u00e1mos vidas destinadas \u00e0 ru\u00edna e ao absurdo. Guardamos os nomes, e escrevemo-los no Muro da Mem\u00f3ria da Casa do Po\u00e7o, de uma centena de pessoas que viveram esta experi\u00eancia e que atravessaram o rio. <\/p>\n\n<p>Caminh\u00e1mos sempre na margem com a vontade de l\u00e1 ficar para que os passos fossem poss\u00edveis para todos.<\/p>\n\n<p>Angelo Cupini<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Passaram cinquenta anos desde que dois mission\u00e1rios claretianos, Roberto Rocchi e Angelo Cupini, se mudaram do semin\u00e1rio claretiano de Lierna para Malgrate, na prov\u00edncia de Lecco, em outubro de 1975, para viver num edif\u00edcio de apartamentos na Via Gaggio 52, para acompanhar e partilhar a vida dos jovens marginalizados. 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