{"id":3274,"date":"2025-02-23T19:10:56","date_gmt":"2025-02-23T18:10:56","guid":{"rendered":"https:\/\/www.somicmf.org\/a-venezuela-a-sua-complexa-realidade-e-as-iniciativas-missionarias-claretianas\/"},"modified":"2025-02-27T09:42:09","modified_gmt":"2025-02-27T08:42:09","slug":"a-venezuela-a-sua-complexa-realidade-e-as-iniciativas-missionarias-claretianas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.somicmf.org\/pt-pt\/a-venezuela-a-sua-complexa-realidade-e-as-iniciativas-missionarias-claretianas\/","title":{"rendered":"A VENEZUELA, A SUA COMPLEXA REALIDADE E AS INICIATIVAS MISSION\u00c1RIAS CLARETIANAS"},"content":{"rendered":"\n<p><em>Anselmus Baru, cmf<\/em><\/p>\n\n<p>No final do ano 2024, o Padre Antonio Llamas pediu-me para escrever sobre a realidade social da Venezuela a partir da minha experi\u00eancia mission\u00e1ria, por isso atrevo-me a escrever estes par\u00e1grafos; n\u00e3o o fa\u00e7o a partir de uma vis\u00e3o profunda e exaustiva da realidade, atrav\u00e9s desta escrita reconhe\u00e7o as minhas limita\u00e7\u00f5es de interpreta\u00e7\u00e3o do contexto e dos factos; com isto, quero simplesmente deixar neste texto o que vivemos neste belo pa\u00eds, \u00e0 parte, tentei destacar algumas pequenas iniciativas que surgem do contexto, respondendo \u00e0 realidade social onde estamos imersos.<\/p>\n\n<p>Este texto foi iniciado ap\u00f3s a tomada de posse de Nicol\u00e1s Maduro como presidente da Venezuela, a 10 de janeiro, na sequ\u00eancia dos resultados controversos das elei\u00e7\u00f5es presidenciais de 28 de julho de 2024; mesmo assim, estas linhas n\u00e3o pretendem fazer uma an\u00e1lise pol\u00edtica ap\u00f3s esse acontecimento, mas uma partilha de experi\u00eancias a partir do que temos vivido no dia a dia, recolhendo os momentos e ac\u00e7\u00f5es mission\u00e1rias na situa\u00e7\u00e3o social que enfrentamos na nossa miss\u00e3o, e citando algumas ideias e resultados de pesquisas de especialistas para refor\u00e7ar as ideias em termos de an\u00e1lise da complexa realidade social que vivemos na Venezuela.<\/p>\n\n<p>Uma realidade social, pol\u00edtica e econ\u00f3mica complexa<\/p>\n\n<p>H\u00e1 mais de uma d\u00e9cada que a Venezuela est\u00e1 mergulhada numa crise profunda que afecta todos os aspectos da sua economia, a come\u00e7ar pelo colapso do modelo econ\u00f3mico, que depende das exporta\u00e7\u00f5es de petr\u00f3leo e da centralidade econ\u00f3mica do Estado. Do mesmo modo, nas \u00faltimas d\u00e9cadas, a Venezuela registou uma deteriora\u00e7\u00e3o pol\u00edtica da sua democracia. <\/p>\n\n<p>H\u00e1 quatro factores para compreender a crise venezuelana: Primeiro, o petr\u00f3leo tem de a dar, segundo Victor Mijares (professor do Departamento de Ci\u00eancia Pol\u00edtica da Universidad de los Andes), isto reflecte-se na rela\u00e7\u00e3o dos venezuelanos em que o petr\u00f3leo faz parte da sua idiossincrasia, uma vez que o petr\u00f3leo n\u00e3o emprega mais de 150 pessoas.Em segundo lugar, o Estado permeia a rela\u00e7\u00e3o entre o Estado e a sociedade, gerando uma situa\u00e7\u00e3o de clientelismo e paternalismo; em terceiro lugar, a \"rela\u00e7\u00e3o civil-militar gerou um esquema de poder pretoriano, onde os militares s\u00e3o o fiel da balan\u00e7a\"; em quarto lugar, a rela\u00e7\u00e3o entre a Venezuela e o resto do mundo, onde alguns poucos se aproveitam dos recursos petrol\u00edferos. Para Mijares, esta situa\u00e7\u00e3o pode ser perigosa e inc\u00f3moda, porque, sendo um pa\u00eds t\u00e3o pequeno, \u00e9 apanhado no meio de pot\u00eancias como a R\u00fassia, a China e os Estados Unidos. <\/p>\n\n<p>A partir deste panorama, podemos compreender que a Venezuela j\u00e1 foi considerada um dos pa\u00edses mais ricos da Am\u00e9rica Latina, com uma economia baseada no petr\u00f3leo, mas nas \u00faltimas d\u00e9cadas esta economia sofreu m\u00faltiplas crises e tornou-se um dos pa\u00edses mais dif\u00edceis econ\u00f3mica e politicamente da regi\u00e3o.<\/p>\n\n<p>Indicadores como o PIB per capita diminu\u00edram, desde que Nicol\u00e1s Maduro assumiu a presid\u00eancia, a Venezuela perdeu US$ 4.825 no PIB per capita, j\u00e1 que em 2013, quando ele assumiu o cargo, estava em US$ 8.692 e em 2024 tinha ca\u00eddo para US$ 3.867, a pobreza extrema e a desigualdade s\u00e3o realidades que refletem um quadro de um pa\u00eds em deteriora\u00e7\u00e3o, preso pelos m\u00faltiplos aspectos da crise. Esta realidade foi agravada pela pol\u00edtica internacional e pelo embargo econ\u00f3mico aplicado pelos Estados Unidos. <\/p>\n\n<p>Segundo Luis Oliveros, decano da Faculdade de Ci\u00eancias Econ\u00f3micas e Sociais da Universidade Metropolitana da Venezuela, a produ\u00e7\u00e3o petrol\u00edfera venezuelana \u00e9, neste momento, apenas um ter\u00e7o do que era h\u00e1 quinze anos. Por esta raz\u00e3o, uma das estrat\u00e9gias aplicadas pelo governo para manter a economia do pa\u00eds em movimento \u00e9 aumentar os impostos sobre o sector privado, o que traz consigo consequ\u00eancias, incluindo custos elevados para o sector empresarial e para a produ\u00e7\u00e3o. <\/p>\n\n<p>A complexa realidade, tanto pol\u00edtica como econ\u00f3mica do pa\u00eds, provocou ondas de migra\u00e7\u00e3o maci\u00e7a de venezuelanos para diferentes pa\u00edses da Am\u00e9rica e da Europa. Segundo dados do ACNUR, mais de 7,7 milh\u00f5es de pessoas deixaram a Venezuela em busca de prote\u00e7\u00e3o e de uma vida melhor; a maioria, mais de 6,5 milh\u00f5es de pessoas, foi acolhida por pa\u00edses da Am\u00e9rica Latina e das Cara\u00edbas. Mas n\u00e3o podemos ignorar que este fluxo migrat\u00f3rio cria outros problemas nos pa\u00edses de acolhimento, como a xenofobia, as oportunidades de emprego, as viola\u00e7\u00f5es dos direitos, a m\u00e3o de obra qualificada de baixo custo, a prostitui\u00e7\u00e3o e os maus tratos e outros problemas sociais.  <\/p>\n\n<p>Esta situa\u00e7\u00e3o provocou a aus\u00eancia de profissionais no pa\u00eds, nos sectores da sa\u00fade, da educa\u00e7\u00e3o, da tecnologia e da ind\u00fastria, entre outros; uma grande preocupa\u00e7\u00e3o, por\u00e9m, \u00e9 a realidade da desagrega\u00e7\u00e3o familiar causada pela migra\u00e7\u00e3o e o efeito econ\u00f3mico que esta provoca, uma vez que as pessoas que migram enviam frequentemente dinheiro (remessas) para os seus familiares no pa\u00eds. De acordo com estudos, as remessas do estrangeiro desempenham um papel cada vez mais importante na economia venezuelana, com cerca de 35% dos agregados familiares venezuelanos a receberem remessas do estrangeiro com frequ\u00eancia ou ocasionalmente. As estat\u00edsticas mostram que o montante m\u00e9dio das remessas enviadas por m\u00eas \u00e9 de 65 d\u00f3lares e que o montante total das remessas enviadas ascende a 3 mil milh\u00f5es de d\u00f3lares por ano. Este valor aumentou 120% desde 2020, quando era de cerca de 1,3 mil milh\u00f5es.    <\/p>\n\n<p>Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 economia, a moeda oficial da Venezuela \u00e9 o Bol\u00edvar, embora n\u00e3o seja oficial, o d\u00f3lar \u00e9 a moeda que mais circula na economia, causando assim uma dolariza\u00e7\u00e3o informal. Nesta realidade, o governo gere o valor das taxas de c\u00e2mbio atrav\u00e9s do Banco Central da Venezuela, mas com uma taxa de c\u00e2mbio flutuante que mostra a instabilidade econ\u00f3mica e o impacto que tem na economia familiar. <\/p>\n\n<p>De acordo com as estat\u00edsticas, o d\u00f3lar BCV subiu apenas 2,67% nos primeiros nove meses de 2024, mas desde outubro o aumento foi de 40,66%, pelo que a varia\u00e7\u00e3o dos pre\u00e7os dos materiais, dos alimentos, da sa\u00fade e da vida em geral \u00e9 dada de acordo com a taxa de c\u00e2mbio do dia, da\u00ed a instabilidade econ\u00f3mica, dificultando o desenvolvimento e agravando a crise. A isto temos que acrescentar que os mercados nem sempre cobram de acordo com a taxa oficial do BCV, porque existem outros modelos de c\u00e2mbio, como o paralelo, o m\u00e9dio (que \u00e9 uma taxa de c\u00e2mbio que \u00e9 dada pela m\u00e9dia das diferentes taxas) e isto leva sempre a uma varia\u00e7\u00e3o nos pre\u00e7os. <\/p>\n\n<p>A partir deste panorama, no ano de 2023, o ENCOVI (Inqu\u00e9rito Nacional sobre as Condi\u00e7\u00f5es de Vida) realizou um inqu\u00e9rito, mostrando os seguintes indicadores: 51,9% da popula\u00e7\u00e3o vive abaixo do limiar de pobreza; mas, em pormenor, o ENCOVI relata os resultados dos seus inqu\u00e9ritos, indicando que 89% dos agregados familiares sofrem de inseguran\u00e7a alimentar e n\u00e3o conseguem cobrir os custos do cabaz alimentar b\u00e1sico e 70% da popula\u00e7\u00e3o vive em \u00e1reas de alto risco de perigos naturais.<\/p>\n\n<p>Relativamente aos n\u00fameros do desemprego, existem diferentes estat\u00edsticas, dependendo das fontes de refer\u00eancia para as consultas. Para o governo venezuelano, a taxa de desemprego da sua popula\u00e7\u00e3o \u00e9 de 7,8%, enquanto que, segundo o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), este valor sobe para 40,3%. De acordo com dados do Observat\u00f3rio Venezuelano de Servi\u00e7os P\u00fablicos (OVSP), 77% dos venezuelanos t\u00eam acesso limitado \u00e0 \u00e1gua, enquanto 11% da popula\u00e7\u00e3o afirma ter acesso \u00e0 \u00e1gua pot\u00e1vel em qualquer dia da semana.  <\/p>\n\n<p>Alimenta\u00e7\u00e3o, sa\u00fade e educa\u00e7\u00e3o<\/p>\n\n<p>A alimenta\u00e7\u00e3o, a sa\u00fade e a educa\u00e7\u00e3o s\u00e3o quest\u00f5es fundamentais na atual situa\u00e7\u00e3o da Venezuela como parte dos direitos b\u00e1sicos da vida humana. Nesta situa\u00e7\u00e3o de crise, os \u00faltimos anos t\u00eam marcado uma profunda deteriora\u00e7\u00e3o das condi\u00e7\u00f5es de vida dos venezuelanos, que se reflecte tamb\u00e9m na redu\u00e7\u00e3o e disponibilidade de acesso \u00e0 compra de alimentos devido \u00e0 infla\u00e7\u00e3o. <\/p>\n\n<p>Michael Fakhri, Relator Especial da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU) sobre o direito \u00e0 alimenta\u00e7\u00e3o, na sua visita \u00e0 Venezuela em fevereiro de 2024, salientou \"as dificuldades que as fam\u00edlias venezuelanas enfrentam para satisfazer as suas necessidades b\u00e1sicas, recorrendo a medidas negativas como a redu\u00e7\u00e3o das por\u00e7\u00f5es de alimentos, a omiss\u00e3o de refei\u00e7\u00f5es e a compra de produtos menos nutritivos\". <a><\/a><\/p>\n\n<p>Este panorama afectou o estado de sa\u00fade dos venezuelanos, uma vez que, de acordo com os dados, \"30% dos hospitais p\u00fablicos n\u00e3o t\u00eam qualquer tipo de material b\u00e1sico, como roupa de cama, toucas, batas cir\u00fargicas, m\u00e1scaras, entre outros\" (\"Venezuela: radiografia de um sistema de sa\u00fade em crise\"). Encontr\u00e1mos um sistema de cuidados de sa\u00fade implementado pelo governo que favorece os primeiros socorros na localidade, de acordo com o Estado cubano. Atualmente, estes centros de cuidados continuam a sofrer de falta de materiais b\u00e1sicos.  <\/p>\n\n<p>No meio da crise, existe a possibilidade de recorrer a um seguro de sa\u00fade privado. Mas os seus pre\u00e7os s\u00e3o muito elevados. De acordo com a ONG M\u00e9dicos Unidos pela Venezuela, mais de 90% da popula\u00e7\u00e3o n\u00e3o pode pagar uma ap\u00f3lice de seguro, nem o custo dos cuidados num hospital privado, pelo que a maioria depende de um sistema de sa\u00fade p\u00fablico que est\u00e1 em crise. O acesso a cuidados num hospital p\u00fablico para cirurgia requer um longo tempo de espera para ser atendido e o paciente tem de pagar alguns dos materiais, o que tamb\u00e9m se torna uma experi\u00eancia traum\u00e1tica para aqueles que t\u00eam de pagar por isso.   <\/p>\n\n<p>A realidade educativa no pa\u00eds n\u00e3o \u00e9 muito diferente. O portal de not\u00edcias DW (Deutsche Welle), na sua reportagem de outubro de 2024, revelou dados actuais baseados em dados da ONG Observatorio de Derechos Humanos da Universidad de Los Andes de Venezuela, que afirmam que \"mais de metade\" do pessoal docente do pa\u00eds est\u00e1 \"abaixo do limiar da pobreza\". No mesmo artigo, a DW refere que, citando dados do Centro de Documenta\u00e7\u00e3o e An\u00e1lise Social da Federa\u00e7\u00e3o Venezuelana de Professores (CENDAS-FVM), calculou que o sal\u00e1rio m\u00e9dio mensal de um professor \u00e9 de cerca de 21 d\u00f3lares \u00e0 taxa de c\u00e2mbio oficial, o que seria insuficiente para cobrir o custo da cesta b\u00e1sica, estimada - em agosto de 2024 pela organiza\u00e7\u00e3o - em 107,8 d\u00f3lares por pessoa; al\u00e9m disso, t\u00eam de cobrir materiais de apoio, que n\u00e3o encontram na institui\u00e7\u00e3o, e o transporte para realizar a sua atividade acad\u00e9mica.  <\/p>\n\n<p>Neste contexto, existe uma realidade de elevado abandono escolar e um d\u00e9fice de pessoal docente, infra-estruturas inadequadas que n\u00e3o garantem os processos educativos para o melhor desenvolvimento educativo; na investiga\u00e7\u00e3o da DevTech Systems, em que participa a Universidade dos Andes, Venezuela, a principal causa do absentismo escolar durante o per\u00edodo 2020-2021 \u00e9 dada por: \"falta de comida em casa (78,3 por cento), falta de servi\u00e7os b\u00e1sicos (56,7 por cento), n\u00e3o poder adquirir materiais e materiais escolares (55,5 por cento), motivos de sa\u00fade (44,4 por cento), necessidade de ajudar nas tarefas dom\u00e9sticas (43,7 por cento), o aluno n\u00e3o quer continuar a estudar (43,5 por cento), o aluno n\u00e3o considera a educa\u00e7\u00e3o importante (39,7 por cento) e custo do transporte (25,9 por cento). Mais de metade dos estudantes (56,9%) referiu sofrer de vulnerabilidade alimentar\".<\/p>\n\n<p>Iniciativas Claretianas a partir da Linha de Solidariedade e Miss\u00e3o-SOMI<\/p>\n\n<p>A presen\u00e7a claretiana na Venezuela n\u00e3o \u00e9 alheia \u00e0 realidade da sua popula\u00e7\u00e3o. Precisamente, o sentido da voca\u00e7\u00e3o mission\u00e1ria consiste em continuar a caminhar com as pessoas no meio desta realidade social que est\u00e3o a viver. <\/p>\n\n<p>Perante esta realidade, a nossa Congrega\u00e7\u00e3o \u00e9 uma organiza\u00e7\u00e3o consciente do desafio humano mais premente: a sustentabilidade da vida humana e da Casa Comum. Seguindo as orienta\u00e7\u00f5es capitulares (QC 81-86), a Prov\u00edncia de Col\u00f4mbia Venezuela rel\u00ea este sonho global, apropriando-o \u00e0s condi\u00e7\u00f5es do Organismo e \u00e0s suas duas regi\u00f5es de miss\u00e3o e advocacia: \"Sonhamos com uma Prov\u00edncia de Col\u00f4mbia Venezuela com comunidades comprometidas no cuidado e defesa da Casa Comum e na constru\u00e7\u00e3o da interculturalidade, da justi\u00e7a e da paz evang\u00e9lica, no marco do projeto de Solidariedade e Miss\u00e3o\". <\/p>\n\n<p>Perante esta realidade, a nossa Congrega\u00e7\u00e3o \u00e9 uma organiza\u00e7\u00e3o consciente do desafio humano mais premente: a sustentabilidade da vida humana e da Casa Comum. Seguindo as orienta\u00e7\u00f5es capitulares (QC 81-86), a Prov\u00edncia de Col\u00f4mbia Venezuela rel\u00ea este sonho global, apropriando-o \u00e0s condi\u00e7\u00f5es do Organismo e \u00e0s suas duas regi\u00f5es de miss\u00e3o e advocacia: \"Sonhamos com uma Prov\u00edncia de Col\u00f4mbia Venezuela com comunidades comprometidas no cuidado e defesa da Casa Comum e na constru\u00e7\u00e3o da interculturalidade, da justi\u00e7a e da paz evang\u00e9lica, no marco do projeto de Solidariedade e Miss\u00e3o\". <\/p>\n\n<p>A partir deste sonho, somos marcados no horizonte por ac\u00e7\u00f5es em que contribu\u00edmos para a realiza\u00e7\u00e3o da dignidade e igualdade das pessoas, povos, comunidades e culturas na sua autodetermina\u00e7\u00e3o, sustentabilidade e preserva\u00e7\u00e3o da Casa Comum. Os nossos compromissos s\u00e3o balizas que orientam o nosso tecer, caminhar, articular e influenciar a partir e com as nossas comunidades mission\u00e1rias, encarnando-nos na solidariedade com a humanidade dos pobres e das v\u00edtimas, \"n\u00e3o se pode ser claretiano como se os pobres - e as v\u00edtimas - n\u00e3o existissem, nem se pode ser claretiano sem denunciar as estruturas de injusti\u00e7a, sem lutar contra o sistema que as perpetua, propondo alternativas\". <\/p>\n\n<p>No meio da realidade venezuelana, a partir da nossa voca\u00e7\u00e3o mission\u00e1ria e guiados pelas linhas de a\u00e7\u00e3o da Congrega\u00e7\u00e3o, as nossas comunidades criaram estruturas de anima\u00e7\u00e3o pastoral de Solidariedade e Miss\u00e3o, SOMI-Justi\u00e7a, Paz e Integridade da Cria\u00e7\u00e3o (JPIC) a n\u00edvel local, zonal e regional, para dinamizar as ac\u00e7\u00f5es sociais na nossa miss\u00e3o. Por isso, para al\u00e9m dos servi\u00e7os sacramentais nos nossos centros mission\u00e1rios (par\u00f3quias, escolas e casa de forma\u00e7\u00e3o), a realidade que nos rodeia obriga-nos a olhar criativamente para al\u00e9m do culto, a entrar na esfera social, uma vez que os processos religiosos devem andar de m\u00e3os dadas com os processos sociais das pessoas; n\u00e3o podemos ser alheios \u00e0 realidade social das pessoas. <br\/>De forma organizada, a Prov\u00edncia, atrav\u00e9s da Procuradoria Mission\u00e1ria, Proclade ColVen, a comunidade local e a Procuradoria Geral das Miss\u00f5es, com o apoio de algumas organiza\u00e7\u00f5es da Congrega\u00e7\u00e3o, das nossas escolas, de algumas ONG locais, da C\u00e1ritas Diocesana, atendem criativamente \u00e0 situa\u00e7\u00e3o de crise em diferentes \u00e1reas, respondendo \u00e0 situa\u00e7\u00e3o de acordo com o contexto e as necessidades da \u00e1rea e do contexto local onde nos encontramos.<\/p>\n\n<p>Algumas iniciativas que podem ser destacadas s\u00e3o:<\/p>\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>\u00b7 Em tempos de forte crise e em tempos de pandemia Covid 19 (2017-2021), e em alguns centros mission\u00e1rios (San Felix, Delta Amacuro e M\u00e9rida) continuam at\u00e9 hoje, a iniciativa \"Pote Solid\u00e1rio\" que consiste em preparar alimentos e distribu\u00ed-los \u00e0s pessoas mais necessitadas em diferentes localidades onde estamos presentes.<\/li>\n\n\n\n<li>\u00b7 Os cuidados m\u00e9dicos, que consistem na organiza\u00e7\u00e3o de um dispens\u00e1rio m\u00e9dico em conjunto com outras ONG, comunidades religiosas e a C\u00e1ritas diocesana, que se ocupa dos cuidados prim\u00e1rios das pessoas necessitadas. Estes cuidados podem ser encontrados, por exemplo, nas nossas par\u00f3quias de Delta Amacuro, San Felix, Caracas e M\u00e9rida. <\/li>\n\n\n\n<li>\u00b7 Experi\u00eancias juvenis, arte, cultura e desporto como meios de resist\u00eancia. Na Venezuela, em cada um dos nossos centros mission\u00e1rios, continuamos a apoiar o trabalho e a forma\u00e7\u00e3o de jovens e, desde h\u00e1 45 anos, o movimento ANCLA (Ant\u00f3nio Claret) continua a ser uma forma esperan\u00e7osa de formar jovens para serem agentes de transforma\u00e7\u00e3o. <\/li>\n\n\n\n<li>\u00b7 Forma\u00e7\u00e3o\/cursos para o empreendedorismo, em zonas de miss\u00e3o como Delta Amacuro, San F\u00e9lix, Barquisimeto e M\u00e9rida, atrav\u00e9s da forma\u00e7\u00e3o para o empreendedorismo, s\u00e3o refor\u00e7ados os cursos de artesanato, a fim de permitir que as pessoas sustentem as suas fam\u00edlias.<\/li>\n<\/ul>\n\n<p>Estas experi\u00eancias s\u00e3o pequenas iniciativas e podem ser muito assistencialistas, mas s\u00e3o um passo para podermos continuar a acompanhar os processos sociais das comunidades.<\/p>\n\n<p>Em conclus\u00e3o<\/p>\n\n<p>Nos \u00faltimos anos, dizem alguns, a realidade na Venezuela melhorou, e isso reflecte-se no stock dos supermercados, onde as prateleiras est\u00e3o cheias de comida, a moeda circula e os pre\u00e7os s\u00e3o em d\u00f3lares, mas, na realidade, grande parte da popula\u00e7\u00e3o n\u00e3o tem poder de compra; por isso, a n\u00edvel social, h\u00e1 um grande fosso entre ricos e pobres.<\/p>\n\n<p>Para os claretianos continua a ser um desafio continuar a acompanhar estas pessoas, a caminhar com elas no meio da sua realidade social e que surjam novas iniciativas que ajudem os processos sociais das comunidades locais, reafirmando a nossa voca\u00e7\u00e3o e presen\u00e7a mission\u00e1ria como sinal de esperan\u00e7a no meio da realidade social que sofre.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Anselmus Baru, cmf No final do ano 2024, o Padre Antonio Llamas pediu-me para escrever sobre a realidade social da Venezuela a partir da minha experi\u00eancia mission\u00e1ria, por isso atrevo-me a escrever estes par\u00e1grafos; n\u00e3o o fa\u00e7o a partir de uma vis\u00e3o profunda e exaustiva da realidade, atrav\u00e9s desta escrita reconhe\u00e7o as minhas limita\u00e7\u00f5es de [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":8,"featured_media":3255,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[183,165],"tags":[],"class_list":["post-3274","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-america-pt-pt","category-noticias-da-base"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.somicmf.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3274","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.somicmf.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.somicmf.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.somicmf.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/8"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.somicmf.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3274"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.somicmf.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3274\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3275,"href":"https:\/\/www.somicmf.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3274\/revisions\/3275"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.somicmf.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/3255"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.somicmf.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3274"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.somicmf.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3274"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.somicmf.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3274"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}